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quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

UM JARDIM DE SONHOS - VIA SACRA DO TRÁFICO HUMANO



O Tráfico de Pessoas é a ação de captar, transportar, trasladar, acolher ou receber pessoas, recorrendo à ameaça ou ao uso da força ou outras formas de coerção, ao sequestro, à fraude, ao engano, ao abuso de poder ou de uma situação de vulnerabilidade ou à concessão ou recebimento de pagamentos ou benefícios para obter o consentimento de uma pessoa que tenha autoridade sobre outra com fins de exploração que inclui, mas não se limitam, à exploração da prostituição, da prostituição alheia ou outras formas de exploração sexual, os trabalhos forçados, a escravidão ou suas práticas análogas, a escravidão ou a extração de órgãos. (ONU: Oficina contra a Droga e o Crime).

Introdução 

PRIMEIRA PORTA: O beijo traidor

Getsêmani literalmente significa “prensa de óleo”. É possível que o simbolismo do nome deste lugar tenha muito que ver com o fato que Jesus foi ungido e fortalecido para enfrentar esta etapa de sua missão. 

 Getsêmani é um lugar onde se entra em contato com a natureza, um refúgio de tranquilidade, um lugar para reunir-se com os amigos e familiares, onde as imaginações fluem e os sonhos são criados. Hoje, para nós, assim como para Jesus quando ali foi orar, este jardim se converte num lugar de TRAIÇÃO. 

Ao entrar neste jardim de árvores, portas e janelas, você vai caminhar junto às vítimas do tráfico humano, junto a pessoas que sobreviveram, e junto aquelas e aqueles que trabalham para que outras e outros também possam sobreviver. Jesus caminha com cada uma dessas pessoas, e aqui neste Getsêmani, faz um convite a você para ser ungida e ungido a fim de unir-se aos esforços de carregar a cruz do Calvário à Ressurreição.

As pessoas que caem nas armadilhas do Tráfico Humano, não o fazem por escolha pessoal. A verdade é que o tráfico de pessoas é uma escravidão moderna. Os convites enganadores e os sequestros flagrantes que acontecem, conduzem a um caminho de dor – a uma trilha que inicia com o beijo de um traidor.

Venderam-me por um fim de semana, enganada e zombada. 30 moedas de prata foi meu preço. Ainda hoje se pode comprar a vida inocente de uma pessoa.

Então, um dos Doze, chamado Judas Iscariotes, dirigiu-se aos chefes dos sacerdotes e lhes perguntou: "O que me darão se eu o entregar a vocês? " E eles lhe fixaram o preço: trinta moedas de prata. Desse momento em diante Judas passou a procurar uma oportunidade para entregá-lo. E o que o traía tinha-lhes dado um sinal, dizendo: O que eu beijar é esse; prendei-o. (Mt. 26,14-16;48). 



PROMESSAS DE FORTUNA E SUCESSO: Uma porta de duas faces. 


As pessoas caem em situações do tráfico humano à força. Nunca é uma escolha. A porta que atravessam é bela e atrativa, seduzindo-lhes com promessas de emprego, êxito financeiro e muitos outros sonhos mas, somente para descobrir que atrás dessa porta existem cadeados que não permitem saída.

As promessas falsas de fortuna e sucesso, de enviar remessas de dinheiro aos pais no país de origem, o pensamento sedutor de “serei modelo e minha família vai a ficar orgulhosa de mim” são algumas das muitas armadilhas e confusões.

1. Condenado à morte: “Quando amanheceu, todos os chefes dos sacerdotes e os anciãos dos judeus puseram-se de acordo num plano para matar a Jesus. Levaram-no amarrado e o entregaram a Pilatos, o governador romano. Quando Pilatos viu que não conseguia nada, mas os gritos do povo eram cada vez maiores, mandou trazer água e lavou as mãos diante de todos, dizendo: - Eu não sou responsável da morte deste homem; é coisa de vocês. Todos responderam: Nós e nossos filhos nos fazemos responsáveis de sua morte! Então, Pilatos deixou livre a Barrabás: depois mandou açoitar Jesus e o entregou para que o crucificassem”. (Mt 27, 1-2;24-26)


Quando era jovem, Ana tinha um trabalho no centro comercial de Westfield. Um dia entrou uma mulher muito elegante e começaram a conversar. Em poucos minutos, ela lhe ofereceu um trabalho com um salário melhor. Convidou-a para almoçar a fim de “conversar” sobre os detalhes. Ana aceitou e novamente se viram durante seu intervalo. A oferta foi fascinante e atrativa: um melhor trabalho com um bom salário! Lamentavelmente essa oferta resultou ver-se obrigada a ser uma escrava sexual em Las Vegas, NV. Graças a Deus, Ana escapou depois de três semanas. Escondeu-se em um closet por três dias com muito medo de que fosse descoberta.

Acenda a sua luz de esperança e liberdade!

Jornada de Oração e Reflexão contra o tráfico de pessoas 2018.

Oração de compromisso:

"No hoje de nossa história, enquanto os fluxos migratórios estão aumentando, confirmamos a nossa fé no Deus da vida, exprimindo a nossa preocupação através da nossa oração:

Quando ouvimos falar de crianças, homens e mulheres enganados e levados a lugares desconhecidos com o escopo de exploração sexual, trabalho forçado e venda de órgãos, os nossos corações se indignam e o nosso espírito sofre, porque a dignidade e os direitos deles são pisoteados com ameaças, mentiras e violência.
Ó Deus, ajudai-nos a contrastar com as nossas escolhas de vida toda forma de escravidão. Nós, juntamente com Santa Bakhita, vos pedimos para que o tráfico de pessoas tenha um fim. Dai-nos sabedoria e coragem para tornar-nos próximos de todos aqueles que foram feridos no corpo, no coração e no espírito, de tal modo que possamos realizar a vossa promessa de vida e de amor terno e infinito por estes nossos irmãos e irmãs explorados.
Tocai o coração de quem é responsável por este grave crime e sustentai o nosso compromisso pela liberdade, dom vosso para todos os vossos filhos e filhas. Amém."



quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

Vigília de oração e reflexão contra o tráfico de pessoas 2018

O tema do Dia Mundial de Oração e Reflexão contra o tráfico humano de 2018 focaliza o drama do tráfico de pessoas entre as populações itinerantes: os migrantes, os refugiados e os banidos. Somos convidados a acender uma luz para estes nossos irmãos e irmãs

Tráfico de pessoas e contrabando de migrantes são duas realidades diversas que sempre se entrelaçam entre si. A violência e a exploração sofridas pelos migrantes que se põem em viagem sem ter um visto de entrada em outro país são frequentemente identificáveis como tráfico de pessoas. A vulnerabilidade causada por seu estado torna-os presa fácil da exploração sexual e trabalhista. Com frequência, migrantes e refugiados são constrangidos a trabalhar por muitas horas ao dia, ganhando pouquíssimo dinheiro, obrigados a estas condições para pagar o débito contraído. O custo do débito aumenta de acordo com a vontade dos traficantes, e são muitos os que sofrem ameaças e extorsões, quando não podem pagar. Muitos migrantes desaparecem durante o trajeto, vítimas do tráfico de órgãos. No mundo globalizado, os fluxos migratórios aumentaram; a isto se contrapõem políticas migratórias sempre mais restritivas por parte de muitos países. 

Esta situação favorece a vulnerabilidade das populações migrantes, que se tornaram, em todo o mundo, um grupo de alto risco para o tráfico de pessoas, seja durante o transporte, nos países de trânsito, seja chegados ao destino. 

A edição 2018 do Dia Mundial de Oração e Reflexão contra o tráfico humano permite-nos acompanhar, com a oração e o nosso compromisso, os trabalhos das Nações Unidas para o Global Migration Compact, um instrumento internacional com o qual os Chefes de Estado e dos Governos de todos os países-membros das Nações Unidas colocam no centro da sua agenda política o tema dos migrantes e dos refugiados, reconhecendo a necessidade de uma abordagem comum e coordenada da questão migratória. O tráfico de pessoas é um dos temas centrais deste debate. 

Acendamos, nos nossos corações e com as nossas vidas, uma luz de acolhimento, de esperança e de encontro. Juntos, acendamos uma luz para a liberdade, contra toda forma de escravidão.

Baixe o Guia para a Vigília:

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

NOTA DE REPÚDIO E SOLIDARIEDADE - Fórum Permanente das Mulheres de Manaus

Acredito na beleza das almas que existe dentro e fora das pessoas. Acredito que a maldade seja passageira e que o ódio seja o inicio do amor escondido dentro das almas. (F. Júnior/2018). 


O Fórum Permanente das Mulheres de Manaus, desde de 2006, vem provocando a sociedade das mulheres e dos homens, promotoras e promotores da paz e dos direitos, a assumir a missão de lutar pelos direitos humanos das pessoas. E nós, do Fórum Permanente das Mulheres de Manaus, assumimos a incumbência de juntas, lutarmos em favor, de uma sociedade, que não seja patriarcal, capitalista, machista, sexista, transfóbica, racista, lesbofóbica e cheia de ódio. 

Acreditamos que as mulheres podem viver sem violência, em uma sociedade justa, que respeite as identidades de gênero, que respeite a diversidade religiosa, que respeite a vida das mulheres. 

A violência contra mulheres vem tornando-se, a cada dia, uma das maiores mazelas sócias, no Brasil e no estado do Amazonas. Todos os dias surge um novo caso de violência física, sexual, psicológica, patrimonial, racial, até chegar ao feminicídio. Muitos casos são registrados e outros são desencorajados pela burocracia do Estado brasileiro, que acaba dificultando o acesso ao exercício pleno do direito. Sabemos que a violência existe em todas as camadas da sociedade. Também sabemos que a mesma não pode ser silenciada. 

As mulheres violentadas não podem se deixar silenciar. Seus gritos de dor, de indignação e de denúncia devem ecoar por todos os espaços. 

Assim, nós do Fórum Permanente das Mulheres de Manaus, manifestamos REPÚDIO acerca dos inúmeros casos de violência contra mulheres no estado do Amazonas/Manaus. Repudiamos o caso de violência física que sofreu a instrutora de informática, militante dos direitos humanos das mulheres, Mary Lúcia, que foi covardemente agredida na tarde do dia 29 de janeiro, em frente a sua casa no bairro Colônia Terra Nova, Zona Norte de Manaus, por volta das 16h30min, por um vizinho. Mary Lúcia registrou a ocorrência na Delegacia de Combate a Crimes Contra a Mulher (DECCM), afirmando que o agressor é seu vizinho, um lutador de artes marciais e que o crime foi cometido por homofobia (homofobia corresponde a uma série de atitudes e sentimentos negativos em relação a gays, lésbicas, bissexuais e também em relação a transgêneros e pessoas transexuais. Tais sentimentos podem ser: aversão, antipatia, desprezo, raiva inexplicável e engloba preconceito, discriminação e abuso). O autor lesbofóbico, no ano de 2014, agrediu a vitima e foi condenado, segundo os autos do processo nº 0609400-68,2014,8.04.0015. 

No ano de 2014, segundos dados do Ministério dos Direitos Humanos/ Secretaria Especial de Direitos humanos/ Diretoria de Promoção dos Direitos de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (DPLGBT), 14,29% das mulheres lésbicas foram agredidas por vizinhos e vizinhas, 31,68% das mulheres lésbicas agredidas no Brasil, o suspeito era vizinho. 36,36% das agressões foram cometidas em vias públicas. 

Ser lésbica é um direito, uma orientação e uma identidade sexual. Portanto, é fundamental e urgente que sejam garantidos os direitos e a cidadania lésbica. Mary Lúcia foi espancada, humilhada, ferida no corpo e alma. 

Ao ser socorrida por outras e outros vizinhos/as, que sensibilizados/as, usaram seus corpos como correntes humanas para proteger, acalentar e fortalecer a vítima. 

Mary viu que não estava sozinha, que a solidariedade existia. Com isso, teve erguida sua força, a sede por justiça, teve erguida a dor que não era apenas sua. A dor de muitas Mary, Joanas, Tonhas, Marias, Ana, Tiana, Aga, Doras e tantas outras que no silêncio vibram com a coragem de Mary Lúcia, em dizer: Basta de violência. 

Nós mulheres de luta e que lutam, esperamos que a justiça abra os olhos! 


Assim, prestamos nossa SOLIDARIEDADE, unimos nossa força a tua força, a tua garra de guerreira amazônida. Iremos juntas vencer o ódio, discriminação, preconceito, machismo, sexismo e a lesbofobia. 

O fim da violência contra as mulheres e a emancipação feminina são pressupostos para a construção de uma sociedade mais justa. 

Assinam a nota de repudio e solidariedade, 
  • Associação de Artesãos Indígenas de Manaus Amazônia Viva – AAIMAV; 
  • Associação de Travestis,Transexuais e Transgêneros do Amazonas -ASSOTRAM; 
  • Articulação de Mulheres Homoafetivas Aliados e Aliadas do Amazonas – ALMAZ;
  • Associação das Donas de Casa do Estado do Amazonas – ADCEAAM; 
  • Associação Amazonense de Mulheres Independentes pela Livre Expressão Sexual- AAMILES; 
  • Associação de Grupos Alternativos de Geração de Renda de Manaus – ASSGAGER; 
  • Associação Nossa Senhora da Conceição; 
  • Centro de Defesa da Mulher; 
  • Centro de Integração Amigas da Mama – CIAM; 
  • Coletivo Difusão; 
  • Coletivo Hip Hop Feminino; 
  • Conselho Estadual dos Direitos da Mulher - CEDIM; 
  • Conselho Regional de Serviço Social 15a Região (CRESS AM/RR); 
  • Comissão Pastoral da Terra – CPT; Coletivo OcupaMinaArt; 
  • Coletivo Mariam; 
  • Espaço Feminista Uri hi; 
  • Fórum Permanente dos Afro-descendentes do Amazonas; 
  • Frente Nacional de Mulheres no Hiphop; 
  • Fórum Afroamerindias e Caribenhas; 
  • Guerreiras Amazônicas em Movimento - GAM; 
  • Grupo de Estudos e Observatório Social: Gênero, Política, Poder – GEPOS;
  • Instituto Equit – Gênero, Economia e Cidadania Global; 
  • Instituto Cultural Afro Mutalembê; 
  • Movimento de Mulheres Camponesas – MMC; 
  • Movimento Feminista Maria sem Vergonha; 
  • Movimento Comunitario Vida e Esperança - MCVE Movimento de Mulheres Solidaria do Amazonas – MUSAS; 
  • Movimento de Mulheres Negras da Floresta – DANDARA; 
  • Movimento de Mulheres Orquídea; Macha Mundial das Mulheres – Núcleo Amazonas; 
  • Manifesta LGBT+; 
  • Núcleo Lélia Gonzalez; 
  • Pastoral Operaria -PO; 
  • Promotoras Legais Populares de Careiro Rede Grito pela Vida; 
  • União Brasileira de Mulheres – UBM





FÓRUM PERMANENTE DAS MULHERES DE MANAUS 
Manaus – AM – Brasil Fone: (5592) 992044578/ 991542836/993261943/991852888/981867526 
E-mail: fpmdemanaus@yahoo.com.br 
fpdasmulheresdemanaus2006@gmail.com https://forumdasmulheresdemanaus.blogspot.com.br 
Apoio: Instituto Equit 
Filiada: Articulação de Mulheres Brasileira – AMB



sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

Fé e foco na missão - Novas perspectivas para 2018


A nova coordenação de articulação nacional da Rede Um Grito pela Vida apresenta as prioridades para 2018.


Feliz 2018! Feliz Oportunidade!

Prezad@s Irmãs e Irmãos de caminhada na Rede um Grito pela Vida,

Mais um ano finda, mas finda cheio de realizações, conquistas e gratidão. Sim, podemos recolher muita vida neste ano de 2017, com os dez anos da Rede no enfrentamento ao tráfico de pessoas. E assim, com um coração cheio de gratidão olhamos também para tudo aquilo que não foi possível realizar, mas sabendo que 2018 abre uma nova possibilidade para continuar desenvolvendo o nosso trabalho de prevenção, informação e sensibilização contra o do tráfico de pessoas.

Desejamos que o ano que se aproxima, e abre suas portas para nos acolher no nosso dia a dia, seja vivido como oportunidade para nos fortalecer na nossa fé em Jesus Cristo, que veio para nos libertar da dor e do sofrimento; momento favorável para fortalecer nossa irmandade, experiência onde tod@s temos a mesma dignidade e direitos; espaço para nos envolver mais com a causa de Deus, com aqueles que ficaram à margem; chance de convidar, por meio do nosso compromisso, a mulheres e homens de boa vontade, que querem contribuir conosco na construção de um mundo melhor para tod@s.


 Ir. Valmi Bohn, Pe. Claudio Ambrósio e Ir. Belén Verísimo
Coordenação Nacional - Rede Um Grito pela Vida


quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

Feliz e Santo Natal!


Natal é uma data esperada e festejada no mundo cristão e não cristão.
Ela traz uma Boa Notícia e esperança de vida nova.

A Rede Um Grito pela Vida
deseja a todas e todos um NATAL repleto de amor e solidariedade, 
iluminado pela beleza escondida naquela
criança nascida em Belém; e que todos os seres humanos
sejam respeitados, e não vistos como objetos a 
serem comprados e vendidos.


Que o Natal seja motivo de Alegria e Vida para todos nós.
Feliz e Santo Natal!

 Ir. Belén Veríssimo, Ir. Valmi Bohn e Pe. Cláudio Ambrózio 
Coordenação da Rede Um Grito pela Vida



Rede em Conexão

No dia 18 de dezembro, Irmã Valmi Bohn, membro da nova coordenação de articulação nacional da Rede Um Grito pela Vida, encontrou-se com alguns membros do núcleo da Rede de Porto Alegre- RS. Este é um momento significativo em que a equipe nacional e os núcleos se aproximam, se conhecem e partilham perspectivas, caminhos e ideias para o enfrentamento ao tráfico de pessoas. 

Que possamos seguir conectando os fios dessa Rede que enfrenta o tráfico de pessoas e luta pela justiça social para todas e todos!

#redeumgritopelavida


quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

Estar na Rede, pra mim, significa um grande crescimento

Ir. Anajar Fernandes com Santa Bakhita,
padroeira e protetora de todas 
as pessoas traficadas.
Irmã Anajar Fernandes da Silva, da Sociedade das Filhas do Coração de Maria, fala sobre sua experiência na coordenação da Rede Um Grito pela Vida durante o biênio 2015-2017, e nos deixa uma mensagem de fé e perseverança nesta caminhada de sensibilização e enfrentamento ao tráfico de pessoas.  

"Sou da comunidade de Salvador, mas como missão estou na região do estado do Amazonas. Atuo na Rede “Um grito pela vida” desde 2012. 

É uma alegria muito grande, neste momento de celebração de 10 anos, fazer parte da coordenação. Estar na Rede, pra mim, significa um grande crescimento, principalmente como religiosa, e como negra, tendo em vista que um grande número de pessoas que são traficadas são mulheres negras; e a região nordeste também é contemplada pelo grande número de nordestinas que se colocam nessa disposição de buscar um novo padrão de vida e são enganadas pelos aliciadores.

A Rede me lançou para esta percepção delicada sobre o que está por traz de tantas propostas. Me colocou à disposição de sensibilizar mais as pessoas para essa ameaça que envolve muitos de nós. Nesta percepção, permear muitos campos nas missões que sou enviada para ajudar a tantas pessoas que não têm nem voz, nem vez, nem percepção daquilo que as envolve na proposta de uma nova maneira de vida. Estou nessa gestão há dois anos e termino a contribuição na coordenação nacional, mas  a minha missão continua. Eu quero dizer para a nova coordenação, aos novos membros, para que não tenhamos medo. 

Em rede nos tornamos fortes. A rede já cresceu muito nesses 10 anos, e como foi dito, em números, núcleos e parcerias. Isso tudo traduz a mensagem de que nós não podemos nos abater diante da dificuldade. Entrelaçamos os nossos fios e nos demos as mãos para crescermos mais e mais nessa Rede, que agora faz 10 anos, mas que com certeza chegará a muitos outros anos com a nossa ajuda, com nosso incentivo, nosso apoio."

(Depoimento de Ir. Anajar Fernandes - VIII Encontro Nacional da Rede Um Grito pela Vida - Brasília/2017)

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Celebrar a missão - 10 Anos da Rede Um Grito pela Vida

Enfrentamento e prevenção ao Tráfico de Pessoas e Exploração Sexual. Gritamos pela Vida, pelos direitos humanos! Religiosas e religiosos de todo o Brasil, unidos a leigas e leigos, desenvolvem estratégias de prevenção e enfrentamento ao tráfico de pessoas, buscando sensibilizar, informar, denunciar, propor e acompanhar as políticas públicas relacionadas.

Dias de reflexão, união e celebração

O VIII Encontro Nacional da Rede Um Grito pela Vida, realizado em outubro de 2017, trouxe novas perspectivas, desafios e possibilidades de comunhão entre os núcleos regionais para continuar a caminhada no trabalho com as comunidades, escolas e universidades, além do empenho para sensibilizar a própria igreja e o governo para a invisibilidade de um crime que mantém pessoas em condições indignas, expostas à violência e exploração.

Acesse nosso canal: https://youtu.be/tk7DcHFxc8c

segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Rede um Grito pela Vida, sinal profético numa sociedade que não respeita a vida de ninguém

Pe. Luis Miguel Modino

O compromisso com o Reino, que nos leva a lutar por um mundo melhor para todos e todas, deve ser uma prioridade que surge do batismo. Respondendo a essa responsabilidade e movida por esse desejo, a vida religiosa no Brasil criou, há 10 anos, a Rede um Grito pela Vida, no intuito de enfrentar e combater o Tráfico Humano.

Em Brasília, de 19 a 22 de outubro, se reuniram 70 religiosas, religiosos e leigas para celebrar a primeira década de existência da Rede, avaliando a trajetória percorrida até agora e projetando o caminho a seguir no futuro, elegendo a nova equipe de articulação nacional e das diferentes regiões.

Rede Um Grito pela Vida

A situação que o mundo e o país vivem, na qual o domínio do sistema neoliberal tem nos levado a uma situação em que não se respeita a vida de ninguém, com perda de direitos e das políticas de inclusão social, tem como consequência o aumento do Tráfico Humano em todas as suas dimensões.

Neste contexto, a Rede, organizada “a partir da fé em Deus e do amor à vida, em palavras de Frei Carlos Mesters, atualmente conta com mais de 200 religiosas e religiosos e 75 leigas e leigos, que fazem parte de uma centena de Congregações espalhadas em quase todos os estados do país, e tem crecido crescido consideravelmente, mesmo com a falta de recursos e recordando que no começo eram apenas 28 pessoas. Aos poucos, a Rede foi ganhando em visibilidade e incidência sociopolítica, fruto de um processo de formação cada vez maior, mesmo que ainda falte o reconhecimento explícito em muitos ambientes eclesiais.

Ir. Barbara Furgal
Nessa perspectiva da presença nas periferias, Bárbara Furgal, Franciscana Missionária de Maria, que trabalha na prelazia de Tefé (Amazonas), que fazia parte da coordenação de articulação nacional da Rede, reconhece que na vida religiosa ainda “falta uma abertura maior para poder ouvir os gritos que vêm da realidade, pois muitas vezes ficamos centradas nas obras e trabalhos que fizemos até agora, em diversas situações que, sem dúvida, no dia a dia, nos tiram a atenção do foco, que deveria ser tentar ouvir os gritos que vêm da sociedade em que a gente vive e do local em que atuamos”.

A irmã Bárbara não duvida em afirmar que devemos ser conscientes e ressalta: “sempre temos mil e uma ideias para resolver as situações, mas acredito que é preciso estar perto do povo, caminhar juntos, ouvir o povo, pois tudo começa por aí, acompanhar vários momentos que fazem parte da vida do povo com quem trabalhamos, nos aproximarmos”.

Padre Mario Geremia C.S
Não podemos esquecer que a luta contra todo tipo de escravidão, dentre elas o Tráfico Humano, é uma prioridade na vida e pontificado do Papa Francisco, que faz constantes chamados no combate dessa situação que sempre atinge os mais vulneráveis da sociedade. Sua permanência é “uma derrota para o mundo, uma vergonha, um crime contra a humanidade”. A superação depende da vontade política que acabe com a impunidade.

Mario Geremia, religioso scalabriniano, referencial do Núcleo do Rio de Janeiro, afirma que a chegada do Papa Francisco tem sido “um grande ar de renovação e um respiro para a vida religiosa e, sobretudo, a confirmação de nossa fé nas causas mais evangélicas e sociais em que estávamos, pois até então não tínhamos apoio, confiança, acompanhamento. Com o Papa Francisco nos sentimos apoiados, com muita confiança e, sobretudo, confirmados na fé”.

Dom Enemésio Lazzaris
Na linha do Papa Francisco, nunca podemos deixar de lado a “necessidade de estar atentos aos sofrimentos dos seres humanos”, segundo Dom Enemésio Lazzaris, Presidente da Comissão Especial para o Enfrentamento ao Tráfico Humano, da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Na Eucaristia de Ação de Graças pelos 10 anos, ele ressaltou que é preciso continuar seguindo o exemplo de Jesus Cristo que se colocou do lado dos pequenos, fragilizados e pecadores”, sendo conscientes que “hoje, em nossa sociedade, existem muitos grupos em risco de cair na vulnerabilidade social”, destacando o papel da Rede como “um grupo de pessoas, sobretudo religiosas, atentas aos gritos de tantas pessoas, principalmente das vítimas de um grande mal, como é o Tráfico Humano”.

Um dos objetivos da Rede é ajudar a sociedade a tomar consciência da problemática do tráfico de pessoas. Nesse ponto, Denise Morra, Missionária do Sagrado Coração de Jesus, Cabrini, que realiza seu serviço pastoral em Teresina, falando sobre a incidência da Rede um Grito pela Vida na sociedade brasileira, reconhece sua importância “na defesa da vida através das diferentes colaborações que vai estabelecendo, particularmente no combate do Tráfico de Pessoas, se tornando reconhecida pelos agentes sociais, pelos movimentos políticos e pelas políticas públicas, aspecto em que temos crescido muito”.

Ir. Denise Morra
A irmã Denise reconhece que a Rede “ainda não tem conseguido contagiar esse sentimento à sociedade brasileira; conseguimos ser visibilizados, mas é preciso fazer um trabalho muito mais pontual de conseguir ganhar espaços públicos, comunitários e também convencimento nos próprios territórios onde estamos”.

Por isso, vê necessário a “formação nas escolas, associações, paróquias e nos abrirmos diante das forças que se têm nos CRAS e CREAS, e principalmente, sair de dentro da Igreja com uma linha mais ecumênica”.

Frei Luiz Carlos Batista, agostiniano, Articulador do Núcleo da Região Sul, formador de sua Ordem em Curitiba, diz que o trabalho na Rede “é uma forma de sair da minha zona de conforto para as periferias existenciais, uma atuação profética, pois como religiosos temos uma vida muito segura, comparada com a maioria das pessoas, em seu dia a dia na sociedade. Nós temos nossos planos de saúde, carro para nos locomover, estudo, viagens, conhecemos línguas e países. Muitas vezes, a maioria do povo não tem e, entre eles, está uma enorme quantidade de pessoas que, na busca de um trabalho, de uma oportunidade na vida, acaba caindo nas redes do tráfico de pessoas, onde os sonhos de jovens e crianças podem se tornar uma armadilha”.


domingo, 22 de outubro de 2017

Entenda o que muda com a nova portaria sobre o trabalho escravo - Brasil de Fato


De acordo com Ministério Público do Trabalho, as alterações se sobrepõem à lei penal brasileira.


Brasil de Fato | Belém (PA)
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A portaria estabelece que, para que seja considerada jornada exaustiva ou condição degradante, é necessário que haja a privação à liberdade / Cícero R. C. Omena/Flickr/Creative Commons

Mesmo que um trabalhador seja encontrado em condições degradantes a dignidade humana, se ele não estiver impedido de ir e vir, tal situação não irá caracterizar que ele esteja em condições de trabalho análogo à escravidão. É o que quer dizer o ministro do trabalho, Ronaldo Nogueira (PTB), por meio da Portaria nº 1.129, publicada na segunda-feira (16) no Diário Oficial da União. 
A medida alterou o conceito de trabalho escravo, o que para o procurador Roberto Ruy Netto, da Coordenadoria Regional de Combate ao Trabalho Escravo do Ministério Público do Trabalho no Pará, não cabe ao ministro fazer alterações de cunho jurídico. Para ele, a medida se sobrepõe a própria legislação nacional.
“O ministro do trabalho, além de não ter essa atribuição pela Constituição, ele, ainda assim, está tentando regulamentar uma matéria que é de direito penal e que não tem nada a ver com a pasta dele. Então, ele está tentando alterar um conceito legal que já está definido no Código Penal, que é o artigo 149 onde a gente tem o conceito do que é o trabalho análogo ao do escravo”, explica Netto.
O artigo 149 define quatro elementos que caracterizam o trabalho análogo à escravidão: quando a pessoa se encontra em condições de trabalho degradantes; jornada exaustiva; trabalho forçado e servidão por dívida. 

Eleita nova coordenação de articulação nacional da Rede Um Grito pela Vida


Pe. Cláudio Ambrosio, Ir. Ana Belén Veríssimo Garcia e ir. Valmi Bohn - Coordenação eleita

No dia 21 de outubro de 2017, no VIII Encontro Nacional da Rede Um Grito pela Vida, no qual foram celebrados os 10 anos de missão e compromisso contra o tráfico de pessoas, realizou-se a assembleia eletiva para a coordenação da articulação nacional da Rede, que assumirá o biênio 2018-2019.

Após momentos de reflexão e partilha, os membros votaram e elegeram Ir. Ana Belén Veríssimo Garcia (região norte, núcleo de Rio Branco), Pe. Cláudio Ambrosio (região sul, núcleo de Curitiba) e ir. Valmi Bohn (região norte, núcleo de Manaus) para coordenar esta caminhada junto aos 27 núcleos de atuação da Rede, presentes nas cinco regiões do Brasil. Como missionárias (os), a Rede segue sua mística inspirada no projeto de Jesus, nos carismas fundacionais, na indignação profética e compaixão samaritana, na defesa dos direitos humanos e na certeza de que um mundo melhor é possível.


Ir. Barbara Furgal, ir. Eurides Alves, Pe. Cláudio Ambrosio, Ir. Ana Belén Veríssimo Garcia,
ir. Valmi Bohn e ir. Anajar Fernandes


As coordenadoras do biênio 2016-2017, Ir. Eurides Alves de Oliveira, ir. Anajar Fernandes da Silva e ir. Bárbara Halina Furgal, expressam sua alegria e gratidão pela experiência no seguimento da missão e dão as boas-vindas à nova equipe, ressaltando a importância deste trabalho de articulação e sensibilização para uma sociedade mais justa e humana.

"A celebração dos 10 anos nos mostra que a gente deve seguir em frente, com coragem, determinação, ousadia, com novas estratégias, firmando as nossas três prioridades: o trabalho intensivo de prevenção, no intuito de coibir o crescimento deste crime hediondo, que é o tráfico de pessoas; a incidência política, ensaiando práticas alternativas que empoderem as populações vulneráveis; e a atenção sempre mais gerenosa e solidária com as vítimas", ressalta ir. Eurides.


A Conferência dos Religiosos do Brasil (CRB) e participantes (membros) da Rede Um Grito pela Vida são imensamente gratas (os) pela dedicação da coordenação cessante, que colocou a serviço da vida o seu tempo, seu saber, sua alegria e ardor, de maneira gratuita, voluntária, responsável e com muito empenho.         
Igualmente agradece a equipe eletita para o próximo biênio, que acolheu com o mesmo ardor e esperança esta missão. Que Deus, a Mãe Maria e Santa Josefina Bakhita caminhem juntos conosco na Rede Um Grito pela Vida.

Irmã Maria Inês Vieira Ribeiro, presidente da Conferência dos Religiosos do Brasil (CRB).

Carta da Comissão de Enfrentamento ao Tráfico Humano


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Brasília, 25 de setembro de 2017

“Não é possível permanecer indiferente sabendo que há seres humanos comprados e vendidos como mercadorias! Levemos em conta as crianças que têm seus órgãos retirados, as mulheres enganadas e obrigadas a se prostituir, os trabalhadores explorados, sem direitos, sem voz, e assim por diante. Isto é tráfico humano! ” (palavras de Francisco na mensagem aos fiéis no Brasil, por ocasião da CF/2014, com o tema “Fraternidade e o Tráfico Humano).


Estimados Irmãos e Irmãs no episcopado,

Dirijo-me aos caríssimos irmãos para dar-lhes notícias da organização da Comissão Especial para o Enfrentamento ao Tráfico Humano que nós criamos, na reunião do Conselho Permanente de 6 de outubro de 2016 e, também, para solicitar-lhes a efetiva colaboração a fim de que seja assumida, também, nos Regionais. Esta Comissão dará continuidade aos trabalhos do GT de Enfrentamento ao Tráfico Humano, criado em 2012.

Nos dias 27 e 28 de junho de 2017, fizemos a primeira reunião com todos os membros, que conta de 4 bispos, um assessor, uma secretária e alguns colaboradores/as. Definimos que a Missão dessa Comissão é: “ à luz da Palavra de Deus e da Doutrina Social da Igreja, ser presença viva e profética no enfrentamento ao tráfico humano, como violação da dignidade e da liberdade, defendendo a vida dos filhos e filhas de Deus”; e que seu Objetivo Geral é: “fortalecer a atuação de enfrentamento ao tráfico humano em suas múltiplas formas, e a atenção às pessoas em situação de vulnerabilidade e de tráfico, contribuindo para transformar as estruturas e as práticas que alimentam a existência dessa chaga social”.

Para viabilizar a ação da Comissão foram estabelecidos quatro eixos de trabalho: Comunicação e Articulação; Formação; Incidência; e Sustentabilidade e Relações Internacionais. Os eixos são formados pelas colaboradoras e colaboradores, com a presença de um bispo. Em conjunto foram estabelecidas as prioridades para o próximo período.

Meus irmãos, já estamos planejando as atividades para 2018 e venho lhes pedir que coloquemos nas agendas dos Regionais esta temática do Tráfico Humano. Vamos continuar nos comprometendo cada vez mais na defesa da dignidade, da vida de tantas irmãs e irmãos nossos atingidos por este crime. Vamos nos unir aos apelos do Papa Francisco.

A Comissão se coloca à disposição dos Regionais para contribuir naquilo que for necessário para sensibilização e informação, atendimento às vítimas e criação de políticas públicas em favor de nossas irmãs e irmãos.


Que o Deus da Vida nos ilumine e nos fortaleça em nossa missão.


Fraternalmente,


Dom Enemésio Lazzaris
Bispo de Balsas/MA e Presidente da Comissão



A inaceitável portaria do Ministério do Trabalho - Desenvolvimento às custas do trabalho escravo?





“É um contexto muito perverso onde tudo está ajeitado para permitir que trabalhadores sejam escravizados”

Para cientista social, mudança na portaria sobre o trabalho escravo é gravíssima. Nova lei coloca o desenvolvimento do país às custas da escravidão de alguém, enfatiza.

Leia em El País


Gilmar Mendes faz ironia com os críticos da portaria sobre trabalho escravo: “Só no Brasil”

Leia em DCM


Trabalho escravo: Milhares de Franciscos

Francisco é um dos 50 mil trabalhadores resgatados nos últimos 22 anos por trabalho escravo, mas isso pode mudar.


sábado, 21 de outubro de 2017

Abertura do VIII Encontro Nacional da Rede Um Grito pela Vida - Brasilia/DF


Neste ano de celebração, a Rede Um Grito pela Vida se encontra para partilhar e avaliar a caminhada, comemorando seus 10 anos de atuação e projetando a continuidade da missão.

O encontro, que se realiza na Casa de Retiro Assunção (DF), de 19 a 22 de outubro, tem como tema: 10 Anos de Compromisso no Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas: Recordar, Celebrar e Projetar! 

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Foto: Nanda Soares | Conectidea - Comunicação & Articulação Social



Eixos do encontro: 

a) Avaliação e celebração dos 10 Anos de missão da Rede; 
b) Análise de Conjuntura; 
c) Projeção da continuidade da missão da Rede; 
d) Eleição da nova equipe de Articulação Nacional.

Abertura


No dia 19, deu-se início ao encontro com um belo momento de oração e partilha. Uma vela para cada ano de caminhada, luzes reunidas para celebrar! Na dinâmica, cada região expressou as luzes que iluminam esta trajetória no dia a dia da missão e depois cada um acendeu a sua vela, posicionando-a no seu ano de entrada na Rede. 

A imagem pode conter: uma ou mais pessoas, pessoas em pé, noite, multidão e área interna
Foto: Luis Miguel Modino
Luzes da caminhada


Região Centro-oeste:
  • Força existente entre nós para o trabalho contra o tráfico de pessoas;
  • Irmãs mais idosas na luta, abraçando a causa;
  • Persistência e perseverança na caminhada.
Região Sul:
  • Bom entrosamento entre os núcleos do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul;
  • Diversas parcerias com organismos governamentais e não-governamentais;
  • Acesso às mídias;
  • Visibilidade para o tema, que muitas vezes é negado pelos habitantes do sul;
  • Expansão de núcleos da Rede em diversos municípios de Santa Catarina;
  • Trabalho de conscientização nas escolas, catequese e grupo de jovens.
Região Nordeste:
  • A presença de leigas e leigos na Rede;
  • Articulação com órgãos governamentais e não-governamentais;
  • Compromisso com a missão.

terça-feira, 17 de outubro de 2017

SEMINÁRIO CONTINENTAL CONTRA O TRÁFICO DE PESSOAS - Mensagem Final


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Bogotá – Colômbia, 18 a 20 de agosto de 2017 
Mensagem Final


O espírito do Senhor DEUS está sobre mim; porque o SENHOR me ungiu, para pregar boas novas aos mansos; enviou-me a restaurar os contritos de coração, a proclamar liberdade aos cativos, e a abertura de prisão aos presos. Isaías 61,1

Nós, que nos reunimos durante estes dias em Bogotá, Colômbia, mulheres e homens consagrados e leigas e leigos companheiros na missão na América Latina e Caribe (CLAR), fomos chamados/as a ser cada vez mais conscientes da dignidade do ser humano, da complexidade da realidade que produz novas escravidões de todo tipo, do  nosso compromisso na defesa da vida e da urgência do cuidado da nossa Casa Comum, do ser humano-terra, este binômio inseparável que é o dinamismo básico de nossa mística e nossa profecia.

Sentimos vivamente nestes dias de Encontro e Discernimento que, a partir dos gritos e silêncios das vítimas do Tráfico de Pessoas – a escravidão do século –, Deus tem nos chamou e nos convida a sair depressa, sem demora, ao encontro destas irmãs e irmãos que o sistema tornou mercadoria. Ao estudar os números e as estatísticas, não perdemos nunca de vista que se tratava de pessoas com nome e com uma história violentada, que nunca deixou de estar cheia de dignidade.

A dinâmica deste Seminário nos levou a caminhar a partir de uma compreensão global do fenômeno do Tráfico de Pessoas, especialmente a partir da perspectiva da migração e da infância, até uma reflexão bíblico-teológica para continuar ressignificando nossos carismas ao redor de novos eixos de articulação dados pelos gritos da vida.

O objetivo fundamental deste Seminário é o fortalecimento de nossas Redes em defesa da vida para atuamos juntos contra as redes de morte que tanta dor e desesperança trazem ao mundo atual. Também nos alegramos pelas novas Redes contra o Tráfico que se formarão nas Conferências onde ainda não existem.

Em atitude de saída, reconhecemo-nos pessoas imersas e influenciadas pelo processo global de desumanização marcado por uma crise geral de convivência, intensificação do individualismo e a ruptura progressiva do tecido social e da fraternidade humana fomentados por políticas e leis neoliberais. A partir desta realidade, sentimo-nos movidos/as a caminhar para a ética do cuidado comum, prestando especial atenção aos mais vulneráveis e abandonados da nossa sociedade.

Com a força do Espírito, comprometemo-nos a repensar nossa Vida Consagrada, aguçar os sentidos e recuperar o profetismo dos carismas, com palavras e ações, que nos animem a não deixar sozinhos os que foram forçados pelo sistema injusto a caminhar – excluídos – nas fronteiras da história. Comprometemo-nos a acolher, proteger, promover e integrar as vítimas do Tráfico de Pessoas e de outras escravidões por este sistema que as desumaniza, as coisifica, as aliena e as humilha.

Reconhecemos a importância de realizar processos de formação interdisciplinar e em incidência política para acompanhar integralmente as pessoas atingidas pelo Tráfico e por toda classe de escravidão moderna, desde os pequenos, desde baixo e a partir do dinamismo da esperança. Gostaríamos de ajudar nossas famílias carismáticas, consagrados e leigos, a experimentar indignação ética frente às escravidões modernas e recuperar a partir desta experiência a misericórdia fundante dos carismas. Queremos ser uma Vida Consagrada nova, uma vanguarda profética e não somente uma força de trabalho.

Nossos olhos estão fixos em “Maria, a mulher do primeiro passo”, a crente fiel, a discípula, a mulher do encontro, da saída, da urgência, do serviço, aquela que soube estar ao lado, a do silêncio, Maria a mulher da vida que não deixa de nos assinalar os caminhos de novos encontros.

Abraçamos a todos na paz e com uma profunda solidariedade.

Participantes do Seminário Continental contra o Tráfico de Pessoas[1].

20 de agosto de 2017.

CONFERÊNCIA LATINOAMERICANA E CARIBENHA DE RELIGIOSOS E RELIGIOSAS - CLAR

[1] 97 participantes de 48 Congregações Religiosas e19 países.